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É possível proteger o canavial das plantas daninhas?

Período mais sensível da cana recém-plantada ocorre nas primeiras semanas


Foto: Canva

Nos primeiros meses após o plantio da cana-de-açúcar, a cultura cresce lentamente, deixa o solo exposto e fica altamente vulnerável à infestação de plantas daninhas, período que coincide justamente com as chuvas de verão entre dezembro e março nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Segundo Kuva et al. (2001), a interferência de plantas daninhas nas primeiras 8 a 12 semanas após o plantio pode causar perdas significativas de produtividade, além de elevar o custo de controle ao longo de todo o ciclo da cultura.

Na etapa de plantio, a cana é implantada por meio de mudas, os chamados toletes, que precisam de ambiente limpo para enraizar, brotar e iniciar o perfilhamento. O problema é que as mesmas condições de umidade que favorecem a brotação da cana também estimulam uma explosão de plantas daninhas na área. De acordo com Azania et al. (2008), quando o controle é mal planejado ou atrasado, as infestantes competem por luz, água e nutrientes justamente na fase em que a cana ainda não fechou as entrelinhas, comprometendo o estabelecimento da lavoura.

Nos canaviais das regiões produtoras predominam plantas daninhas de ciclos diversos, entre elas gramíneas anuais e perenes, como capim-colonião, capim-braquiária e capim-marmelada, plantas de folhas largas, como corda-de-viola, trapoeraba e caruru, e ciperáceas, como a tiririca, conforme classificação de Lorenzi (2008). Segundo Procópio, Silva e Vendramini (2010), essas espécies emergem rapidamente após as primeiras chuvas e formam grande massa vegetal em pouco tempo, provocando redução do estande de plantas de cana por sombreamento e competição por água na linha de plantio, menor perfilhamento, atraso no fechamento da entrelinha, maior dificuldade de mecanização e aumento do custo de capina e reentrada no talhão.

O período mais sensível da cana recém-plantada ocorre nas primeiras semanas após a brotação, quando as plantas ainda são pequenas e o sistema radicular está em formação. Kuva et al. (2001) indicam que, para a maioria das situações, a cultura não deve conviver com plantas daninhas no início do ciclo, sendo fundamental manter a área limpa aproximadamente até a fase em que as linhas começam a se fechar — um período cujo detalhamento exato varia conforme variedade, fertilidade do solo, clima, sistema de plantio e nível de infestação, devendo ser definido caso a caso com suporte técnico.

Um bom programa de controle começa antes do plantio e se desdobra até a fase de cana estabelecida. Entre os critérios que orientam essa decisão, Rodrigues e Almeida (2018) destacam o histórico da área — quais espécies predominaram em anos anteriores, se há suspeita de resistência a determinados grupos de herbicidas e se houve falhas em controles passados —, o tipo de solo e preparo, já que a textura e o teor de matéria orgânica influenciam a mobilidade e a persistência dos herbicidas aplicados, a época de plantio e o regime de chuvas, e a variedade de cana utilizada, considerando que variedades de crescimento inicial mais lento expõem o solo por mais tempo e espaçamentos mais largos aumentam o tempo até o fechamento das entrelinhas.

O manejo preventivo, segundo Azania et al. (2008), combina a limpeza pré-plantio — controle químico ou mecânico das plantas daninhas antes da abertura dos sulcos —, a escolha adequada do sistema de preparo de solo e o uso de herbicidas em pré-emergência, aplicados logo após o fechamento do sulco e o plantio da cana para formar uma camada herbicida ativa na superfície do solo que inibe a germinação das infestantes. Mesmo com bom uso de pré-emergentes, é comum ocorrerem escapes de plantas daninhas, o que exige monitoramento periódico — a cada 10 a 15 dias, segundo Procópio, Silva e Vendramini (2010) — para avaliar o tamanho e o estádio de desenvolvimento das infestantes, já que o controle em estádios mais jovens tende a ser mais eficiente. Nessas situações de escape, a recomendação é utilizar herbicidas de pós-emergência seletivos à cana, conforme as espécies presentes, ou recorrer à capina manual ou mecânica pontual em infestações localizadas, evitando revolvimento excessivo que traga novas sementes à superfície.

A eficiência dos herbicidas na cana recém-plantada depende diretamente de fatores como a umidade do solo, já que produtos de ação no solo requerem umidade adequada para serem absorvidos pelas sementes e plântulas das plantas daninhas, a temperatura e a radiação no momento da aplicação, a calibração e a tecnologia de aplicação utilizadas, e a profundidade de plantio e a cobertura do sulco — falhas nesse fechamento podem aumentar o contato do herbicida com as gemas da cana, gerando fitointoxicação e falhas de brotação, de acordo com Rodrigues e Almeida (2018).

O controle de plantas daninhas também se integra a outras decisões de manejo do canavial. Procópio, Silva e Vendramini (2010) apontam que solos bem corrigidos e adubados favorecem um crescimento inicial mais vigoroso da cana, o que ajuda na competição com as infestantes, ainda que adubações superficiais também possam estimular o desenvolvimento das plantas daninhas. Em sistemas com cobertura de palhada, como ocorre na colheita mecanizada sem queima, a palha reduz a germinação de muitas espécies infestantes, mas pode interferir na chegada dos herbicidas à superfície do solo, o que exige atenção na escolha do produto e da dose. A rotação de áreas e de espécies cultivadas em reformas mais amplas também é indicada como estratégia para diversificar as práticas de controle e reduzir o banco de sementes de espécies problemáticas ao longo dos anos.

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